O machismo da mídia
O "NYT" destaca hoje, com chamada no alto da primeira página, reportagem sobre o preconceito contra mulheres na cobertura eleitoral:
_ Muitas mulheres e simpatizantes de Hillary Clinton estão propondo boicote a canais de notícias, postando vídeos num "Hall da Vergonha da Mídia", abrindo um debate nacional sobre sexismo e pressionando Barack Obama a se pronunciar sobre a questão. Mas muitos na mídia, com exceções, incluindo Katie Couric, âncora do "Evening News" da CBS, não vêem necessidade de reconsiderar sua cobertura ou mudar no futuro a maneira como atuam... Ms. Couric postou um vídeo no site da CBS sobre a cobertura de Mrs. Clinton. "Goste dela ou não, uma das grandes lições de sua campanha foi o papel persistente _e aceito_ do sexismo na vida americana, particularmente na mídia", disse Ms. Couric.
Abaixo e aqui, o vídeo da âncora da CBS _que é concorrente da NBC/MSNC, o maior alvo da campanha dos simpatizantes de Hillary.
A coluna e o blog voltam na próxima segunda-feira.
Escrito por Nelson de Sá às 10h45
Taiwan, depois Nepal...
Escrito por Nelson de Sá às 09h59
Seis anos depois, habeas corpus
Em destaque nos quatro jornais, a decisão da Suprema Corte americana de permitir aos 270 prisioneiros da base naval de Guantánamo que recorram à Justiça nos EUA por habeas corpus. Foi uma recusa ou rejeição, "rebuff" nos enunciados de "NYT" e "WSJ", a George W. Bush. Sua estratégia para a detenção dos suspeitos de terrorismo está agora em desordem, "disarray", sublinha o "WP".
Alguns dos detentos já estão em Guantánamo há mais de seis anos. O juiz da Suprema Corte Anthony M. Kennedy escreveu em seu voto que "poucos exercícios de poder do Judiciário são tão necessários quanto a responsabilidade de abrigar questionamentos à autoridade do Executivo de prender uma pessoa".
Segundo o "NYT", divididos, John McCain expressou "preocupação" com a decisão e Barack Obama "louvou".

"WSJ" e "FT" ressaltam que o banco de investimento Lehman Brothers, um dos maiores do mundo, busca "recuperar confiança" com a troca de executivos após registrar prejuízo de US$ 3 bilhões na crise de crédito.
Escrito por Nelson de Sá às 09h22
O primeiro passo

Por outro lado, Monica Bergamo entrevista na Folha a filha de Roberto Teixeira, afilhada de Lula e advogada da VarigLog, Valeska Teixeira, que "rebate as acusações de Denise Abreu" e diz que a ex-diretora da Anac "não tem reputação para julgar o que é moral".
No caso Alstom, a Folha noticia que um ex-diretor da empresa francesa tornou-se em 99 presidente da estatal Empresa Paulista de Transmissão de Energia e, dois anos depois, fechou negócio com a Alstom sem licitação.

Escrito por Nelson de Sá às 08h21
Revistas
O anúncio veio dias depois da aposta lançada pelo colunista de mídia da "Vanity Fair", com ampla repercussão, de que a "Newsweek", a segunda, não sobrevive mais cinco anos.
Leia aqui a íntegra da coluna "Toda Mídia" de hoje.
Escrito por Nelson de Sá às 08h10
Em liqüidação
A oferta da InBev pela cervejaria que produz a Budweiser espalha o nacionalismo pela cobertura americana, hoje. Drudge Report e Huffington Post, em manchetes neste momento, linkam para o despacho da Associated Press sobre a reação de políticos como o governador de Missouri, sede da Anheuser, contra o negócio.
E o "Good Morning America", da ABC, apelou para Lou Dobbs, o âncora populista da CNN, de campanhas célebres contra a "exportação de empregos" e os imigrantes. Sob o enunciado "America for Sale", ele diz que a negociação da "Bud" choca mais, mas o problema é que até infra-estrutura está perto de cair em mãos estrangeiras.
Escrito por Nelson de Sá às 11h47
Liberdade (temporária) de imprensa
O "China Daily" dá em manchete que a região do terremoto está "aberta à mídia estrangeira", obsessão do jornal _que critica regularmente a cobertura ocidental. Em resposta a questionamentos de NBC e "WSJ", o "escritório estatal de informação" prometeu agilizar liberações. E diz que "as normas de mídia promulgadas em 2007 dão aos estrangeiros liberdade de cobertura na preparação e durante os Jogos Olímpicos".
Sobre inflação, o jornal noticia que a alta dos custos industriais foi de 8,2% em maio, o que torna "difícil relaxar o aperto monetário". E ontem à noite em reunião de emergência, diz o "FT", a vizinha Índia elevou a taxa de juros para 8%, a maior em cinco anos.
Escrito por Nelson de Sá às 10h55
O Brasil, sim, é um país sério
Republicanos de toda ordem, a começar da Casa Branca, pressionam há semanas para que sejam derrubadas as restrições ambientais que impedem a prospecção em águas profundas, do Alasca à Flórida. Hoje foi o colunista Daniel Henninger, no "WSJ", com a mesma argumentação do também colunista George F. Will, quinta-feira no "WP".
Ambos apresentam o Brasil como modelo e sublinham que até Cuba já perfura o fundo do mar, a poucas milhas dos EUA. No caso de Henninger, o site do "WSJ" posta também um vídeo que reproduz a coluna, com o mote de que o Brasil, sim, é um país sério. Os EUA, em energia, não.
Escrito por Nelson de Sá às 10h26
Contra "a gigante belgo-brasileira"
"WSJ" e "FT", a exemplo de seus sites ontem, destacam a oferta de compra da cervejaria americana Anheuser pela "gigante belgo-brasileira" InBev. O negócio "deixaria a marca Budweiser, um ícone de 132 anos, nas mãos da gigante belgo-brasileira", repetiu-se o "WSJ", dizendo que a empresa resultante seria "a maior cervejaria do mundo".
Os controladores da Anheuser, que antes haviam rejeitado uma aproximação informal da InBev, agora afirmam que farão "o melhor para o interesse dos acionistas" e decidirão "no prazo devido". Nas últimas semanas, o "WSJ" comandou campanha contra os brasileiros da InBev.
O "FT", em linha semelhante, dá na capa que o fundo soberano de Abu Dhabi negocia a compra de "uma das maiores marcas de Nova York, o Chrysler Building", com foto. E o "NYT", também com foto, avisa que os rodeios mexicanos ou "charreadas", mais rústicos que os americanos, "florescem" nos EUA e já "enfrentam críticas".

No dia-a-dia eleitoral, "WP", "NYT" e "WSJ" noticiam até em manchete a queda de assessor de Barack Obama por "conexões empresariais".
E a manchete central do "FT" é uma correção: o banco central europeu soltou nota para dizer que não vai elevar os juros.
Escrito por Nelson de Sá às 09h24
De Dilma para o "compadre"
Em manchete ou quase, "Estado" e "Globo" abandonam a ministra Dilma Rousseff e passam a destacar, sobre o depoimento da ex-diretora da Anac Denise Abreu, que ela diz que "pressão de Roberto Teixeira, amigo de Lula, foi imoral" ou ainda "acusa compadre de Lula de ação imoral". A Folha registra que a expressão foi usada para a ministra também.
Por outro lado, no enunciado da Folha para o caso, o ex-presidente da Anac Milton Zuanazzi "negou em depoimento que o processo de venda para a VarigLog tenha sido acelerado por pressão do Palácio do Planalto".

Após a aprovação por dois votos na Câmara, como sublinham as edições de Folha, Valor e demais, a manchete da Folha Online agora pela manhã é que a oposição avalia que "faltam sete votos para derrubar a CSS no Senado", segundo Josias de Souza.
O "Valor" também destaca que "a nova lei contábil, já em vigor para os balanços deste ano, vai elevar a carga tributária sobre as empresas caso seja mantida interpretação da Receita" de que "subvenções e incentivos fiscais agora serão incluídos no lucro".
Escrito por Nelson de Sá às 08h21
Neo-realismo americano
George W. Bush, em sua última visita oficial à Europa, lamentou ontem em entrevista ao "Times" de Londres que esteja deixando para o mundo a imagem, "você sabe, não de um homem de paz".
Já a secretária de Estado, Condoleezza Rice, escreve na "Foreign Affairs" de julho/agosto um longo ensaio, que o site da revista adiantou ontem, sobre "as lições dos últimos oito anos" de diplomacia dos Estados Unidos, "Realismo americano para um novo mundo".
Abre dizendo que a relação com "as grandes potências", referindo-se a Rússia e China, e com "as potências emergentes" Índia e Brasil foi a diretriz que "nos guiou consistentemente". Que os EUA criaram "relações maiores e profundas" com Índia e Brasil. Que "o sucesso do Brasil ao usar a democracia e o mercado para enfrentar séculos de desigualdade social tem ressonância global". E por aí vai, sobre as "grandes democracias multi-étnicas". Ecoou no "Times of India" e outros por lá.

E ecoou por aqui a manchete do chileno "El Mercurio" de ontem, uma entrevista com Barack Obama publicada, na verdade, mais de uma semana antes no "El Nuevo Herald", de Miami.
O candidato democrata confirma que, eleito, "iniciaria conversas com os inimigos em Cuba e Venezuela" e, assim que deixasse o Iraque, focaria sua atenção na América Latina. "Quero unir-me a países como o Brasil para buscar formas mais limpas de energia."

O francês "Le Monde", ontem no editorial "A revanche do Sul", saudou o crescimento dos países emergentes, Brasil incluído. Diz que "uma página se vira sobre a revolução industrial, que estabeleceu a supremacia da Europa e da América por dois séculos". Mas agora, cobra o jornal, "em resposta, o Sul precisa assumir as suas novas responsabilidades".
Leia aqui a íntegra da coluna "Toda Mídia" de hoje.
Escrito por Nelson de Sá às 08h09
Vai recomeçar?
Do "Bom Dia São Paulo", da Globo:
_ Duas adolescentes, alunas do Colégio Equipe, um dos mais tradicionais de São Paulo, estão desaparecidas há cinco dias. Giovanna, de 15 anos, e Ana Lívia, de 16, assistiram a uma sessão de cinema na rua Augusta e pegaram uma carona até o terminal Barra Funda. Foi a última vez que as duas foram vistas. Em seguida, desapareceram. A polícia investiga o caso.
Escrito por Nelson de Sá às 11h54
Antes e depois
Escrito por Nelson de Sá às 11h25
A inflação bate nos Brics
O "FT" destaca que os "temores" de uma uma alta generalizada nos juros por "bancos centrais ao redor do mundo", para conter a inflação, afetam os mercados financeiros. Cita os alertas não apenas do presidente do americano Fed, que anteontem responsabilizou a alta no petróleo, mas também dos presidentes dos bancos centrais europeu e britânico.


Escrito por Nelson de Sá às 10h08
Ainda o hipotético valor capital da floresta
Do sueco Johan Eliasch, "assessor especial do primeiro-ministro britânico para assuntos relativos ao desmatamento", hoje no artigo "A Amazônia brasileira para os brasileiros", na Folha:
_ A floresta amazônica brasileira pertence ao Brasil e acredito firmemente que assim deva continuar. Alguns observadores estrangeiros têm sustentado que o governo deve ser guiado sobre como proteger a floresta ou, ainda, que intervenções internacionais seriam necessárias. Tal opinião, defendida por pessoas que nunca estiveram no Brasil, mostra-se completamente equivocada... Tem sido divulgado, sem o menor fundamento, que eu teria dito que a floresta poderia ser "comprada" pelo valor de US$ 50 bilhões. Eu jamais disse isso! Fiz um discurso à indústria de seguros em 2006, quando procurei demonstrar a direta relação existente entre o desmatamento e alguns desastres naturais. O que eu disse, para que fique esclarecido, é que o valor despendido por seguradoras em decorrência dos efeitos do Katrina em 2005 (US$ 75 bilhões) foi superior ao hipotético valor capital da floresta amazônica. Afirmei que a indústria seguradora tem um claro interesse em patrocinar financeiramente a proteção das florestas tropicais.
Para registro, também o "WSJ" saiu agora em defesa de Johan Eliasch, que "quer preservar" mas sofre "acusações de alguns políticos brasileiros". Foi em reportagem que destaca bancos interessados em projetos ecológico-financeiros na Amazônia brasileira, como o holandês Rabobank, e concentra o foco no britânico Canopy Capital, com plano para a Guiana _cujo presidente andou oferecendo toda a floresta do país por EUA e Grã-Bretanha, como saudou o "NYT".
Escrito por Nelson de Sá às 09h28
Desaceleração e aceleração
Em destaque nos quatro jornais, o PIB do primeiro trimestre mostrou "desaceleração", segundo a Folha, ou "equilíbrio", segundo o "Valor", saudando o "menor descompasso entre oferta e demanda".
Não foi o bastante, porém, para conter a inflação. Agora pela manhã, em manchete de sites e portais, "IPCA acelera para 0,79% em maio", na maior alta para o mês desde 1996. Para a Reuters Brasil, "o pico ocorreu em maio e a tendência é de desaceleração a partir de agora, mas em ritmo lento" devido à pressão dos alimentos.

Sobre o PIB, "Globo" e "Estado" se concentram na elevação dos "gastos do governo", com o segundo sublinhando que "as despesas cresceram mais em Estados e municípios, por causa das eleições municipais _que provocam a aceleração de obras".
Da parte do governo federal, destaca a Folha em outro enunciado, "em ano eleitoral, Bolsa Família terá reajuste". Lula decidiu que o benefício vai aumentar em 10%, devido à alta dos alimentos.
Ainda sobre eleição, o "Globo" é único a destacar na primeira página _e com manchete_ a decisão do Supremo de não impedir a candidatura de pessoas com processo em andamento, o que chama de "ficha suja".

A manchete do "Valor" foi para a Vale, que "está de volta às compras, com o anúncio de uma oferta de ações avaliada em US$ 15 bilhões, a maior já feita no país". E seria "apenas o passo inicial para uma operação bem maior: uma captação de US$ 80 bilhões, que a deixaria pronta para comprar um concorrente de peso".
O "Financial Times" especula que entre os objetos de desejo da Vale estariam Anglo-American, Alcoa e Freeport.
Escrito por Nelson de Sá às 08h33
De pernas para o ar
A Agência Internacional de Energia deu alguma esperança, ontem no site do "Wall Street Journal", com a previsão de que a demanda mundial por petróleo deve diminuir. Mas nem a boa notícia foi completa, pois a oferta não deve crescer _e, portanto, não se sabe ao certo para onde vai o preço mundial do petróleo. O quadro segue "topsy-turvy", de pernas para o ar, no dizer da manchete on-line do "WSJ".
Ontem, na manchete do "Financial Times" de papel, o presidente do banco central americano indicou alta de juros por conta da pressão do petróleo sobre a inflação dos EUA.
Ontem também, em destaque no site do "FT", a gigante russa Gazprom lançou a previsão de que o barril vai a US$ 250, ano que vem.

A gasolina invadiu a agenda eleitoral nos EUA, com o site Politico postando, com base no Gallup, que o alto preço já afeta John McCain _que é identificado à Casa Branca, responsabilizada pela crise. Antes dos US$ 4 por galão, esta semana, já em março 94% dos americanos diziam que a crise de energia é "séria" .
Por enquanto, a resposta de McCain foi acusar Barack Obama de ser "ruim para os negócios" por apoiar mais imposto sobre as petroleiras, que vêm sendo denunciadas por democratas como "especuladoras", manchete ontem à noite no site liberal The Huffington Post.

O preço do combustível, diz a Reuters, já causa manifestações de protesto na Índia e até na China. Os caminhoneiros espanhóis e portugueses estão em greve e devem ter a adesão dos sul-coreanos.
Já a AFP dá a reportagem "A exceção brasileira: sem alta de preços, graças ao corte nos impostos". A agência francesa avalia que a "estratégia", que é ajudada ainda pela valorização do real frente ao dólar, "deixou os motoristas brasileiros despreocupados da dor do preço que se sente nos outros lugares".

E também o célebre âncora Bill O'Reilly, da Fox News, anda assustado. Bradando que "nós todos estamos em perigo" com os "4 bucks" da gasolina na bomba, nso EUA, o jornalista pró-republicano cobrou que o Congresso acabe com a tarifa sobre etanol importado do Brasil para evitar a sombra de uma nova "guerra mundial".
A nova classe média, de pele escura
_ O fato social mais importante sobre o Brasil na última metade de século é que nós agora temos uma nova classe média vindo debaixo, de raça misturada, pele escura, um povo que luta para erguer pequenos negócios.
Escrito por Nelson de Sá às 11h53
Pânico em Xangai
Escrito por Nelson de Sá às 11h24
A democracia funciona, na Venezuela
Procurando compreender, como o resto do hemisfério, o que levou Hugo Chávez a cobrar das Farc o fim da luta armada, o "NYT" traz a análise "Chávez passa do limite, e percebe", do correspondente Simon Romero:
_ Mr. Chávez mostrou a mesma disposição de reinventar a si mesmo que o tem servido em tempos de crise, ao longo de sua carreira política. Mais de uma vez ele apostou ao forçar políticas e posturas agressivas, para depois mudar para um caminho mais moderado quando as consequências se mostraram muito ruins. Ainda que Mr. Chávez tenha sido acusado de falar e tentar governar como um autocrata, suas ações recentes confirmam que a democracia da Venezuela, ainda que pareça frágil de vez em quando, serve como contrapeso aos desejos do presidente.
Cita a recente lei de inteligência, que Chávez editou e depois, diante das reações, suspendeu e até chamou de "indefensável".
Escrito por Nelson de Sá às 10h38
Da recessão para a inflação
O "Financial Times" dá manchete para o alerta do presidente e diretores do Fed, o banco central americano, de que a inflação está em alta no país, abrindo a perspectiva de elevação dos juros nos EUA. Por outro lado, segundo o mesmo Fed, o risco de recessão diminuiu.
Agora pela manhã, em parte devido à perspectiva de menor exportação aos EUA, as bolsas asiáticas desabaram.
Também destaque no "FT", a avaliação de que o salto no preço do petróleo na sexta não foi, como se espalhou, obra de especuladores. Eles também foram surpreendidos e perderam com o movimento.
O "WP", na manchete, mostra como a gasolina a US$ 4 o galão "desafia o reino do carro" e começa a mudar o comportamento do consumidor americano, afetando desde as férias até a compra de pizza para entrega.

O "NYT" dá manchete para a crise dos alimentos. Enquanto na Austrália o problema é a seca, nos EUA os produtores de milho e soja já "temem o desastre", por conta do excesso de chuvas, num ano em que as colheitas teriam quer ser "excelentes" para responder à demanda mundial.
O "WSJ", que dedica mais atenção aos benefícios até póstumos dos altos executivos, também chama na capa a crise dos alimentos, em reportagem sobre o questionamento crescente do livre comércio. Em texto enviado do Haiti, diz que a prioridade passou a ser a produção nacional de comida, não mais a confiança no comércio internacional.
Escrito por Nelson de Sá às 09h37
"Crivella, meu amigo"
No que interessa sobre a eleição deste ano no Rio, sede das Organizações Globo, o "Globo" traz na primeira página e em destaque no site uma declaração de Lula, "como subir no palanque do Molon se sou amigo do Crivella". Ou melhor, na transcrição:
_ Como vou subir no palanque do Molon e fazer campanha para ele no Rio se o Crivella, meu amigo, está na disputa? Ele é meu correligionário, sempre me ajuda em tudo. Não posso fazer isso... Em São Paulo, só posso ir apoiar a Marta se não tiver encrenca. Se o Aldo for candidato, não poderei ir.
Alessandro Molon, candidato do PT no Rio, e Aldo Rebelo, candidato do PC do B em São Paulo, estão sob pressão para sair da campanha. O senador Marcelo Crivella, candidato do PRB no Rio, foi bispo da Igreja Universal e é sobrinho de Edir Macedo, da Record.
Escrito por Nelson de Sá às 09h20
A Varig e o executivo corintiano
"Globo" e "Estado" seguem com a venda da Varig nas manchetes, o primeiro com um contrato de gaveta que obrigaria os sócios brasileiros a vender sua parte ao fundo americano e o segundo com a retomada da investigação pelo Ministério Público Federal.
A Folha entrevista e destaca na primeira página o executivo chinês Lap Chan, do fundo americano sócio da VarigLog, que comprou a Varig. Ele reage às acusações dizendo que na verdade "o governo só dificultou a compra da Varig" e que Denise Abreu, a ex-diretora da agência de aviação, Anac, "atendia a interesses da concorrência".
Sobre os sócios brasileiros, outra fonte das acusações, afirmou que teriam enviado "dinheiro para a Suíça" e questionou em especial Marco Antonio Audi, que não seria "completamente limpo". E afirmou não serem "laranjas": "Você acha que eu estaria numa disputa societária se eles fossem laranjas? Não, é claro que não".
No fim, reclamou de ser descrito como chinês, ele que nasceu em Hong Kong, mas morou em São Paulo até o ensino médio:
_ Fico chateado porque todo mundo fala "é o chinês", mas o chinês aqui é mais brasileiro do que muitas pessoas que eu conheço. Eu tenho o coração brasileiro. Tenho sotaque chinês? Não tenho. Sou um corintiano sofrido!

Na manchete do "Valor", a notícia mais recente na "guerra" dos biocombustíveis. "Produtos brasileiros, de etanol a minério de ferro e artigos de consumo, serão diretamente atingidos pela nova barreira não tarifária" da União Européia, alerta o jornal, desde Genebra, sobre "a entrada em vigor da exigência de pré-registro de 30 mil substâncias químicas usadas nos produtos comercializados" na região.

Na manchete da Folha, a corrida dos gastos militares no mundo, com as guerras no Iraque e no Afeganistão e o crescente poder de compra dos emergentes, como a China e a Rússia. O Brasil aparece na lista como o 12º maior gasto no mundo.
Escrito por Nelson de Sá às 08h29
"Escravos!", "guerra!"
Com base em relatório do Departamento de Estado dos EUA, da semana passada, as edições de Europa e Ásia do "Wall Street Journal" deram ontem editorial questionando o Brasil pela "escravidão" ou "trabalho forçado" na produção de etanol de cana, "uma tendência crescente", e também de minério de ferro.
Ontem também, um editorial do "New York Times" questionou que a "política interna das nações mais desenvolvidas" evitou resultados mais concretos no encontro da ONU sobre a fome. O jornal centrou fogo nos subsídios ao etanol de milho, mas registrou que "os EUA não estavam sós", na reunião de Roma, e "o Brasil também rejeitou pressões para conter a produção de biocombustíveis".
Por outro lado, aqui e ali, como hoje em reportagem no "Guardian" e no final da semana em artigo no mesmo jornal, é possível ler títulos como "Biocombustíveis: Brasil questiona custo do açúcar no tanque", em reação à "campanha" contra o etanol, ou ainda "Não culpem os biocombustíveis do Brasil" e sim os "verdadeiros vilões", os subsídios de EUA e Europa.
E ontem, no "Café com o Presidente", Lula repetiu que o país vai vencer a "guerra" dos biocombustíveis.

Da entrevista do ministro Guido Mantega ao "Financial Times", o jornal tirou ontem um segundo enunciado, de que os "Campos de petróleo do Brasil devem transformar a economia". O governo fala em até 50 bilhões de barris com os novos campos, o que, somado às reservas atuais, tornaria o Brasil "o oitavo país em petróleo, ultrapassando a Rússia".
A partir daí, porém, a reportagem de Jonathan Wheatley e Richard Lapper, com tradução no UOL, foca a "preocupação da indústria" quanto ao controle estatal sobre os novos campos, ecoando pressões contra a "ala nacionalista do governo".
Leia aqui a íntegra da coluna "Toda Mídia" de hoje.
Escrito por Nelson de Sá às 08h23
Republicanos e o fundo verde
Depois do ultraliberal Frank Rich, ontem, também o ultraconservador William Kristol, ambos colunistas do "New York Times", escreve hoje sobre o vexatório discurso de John McCain, no dia da confirmação de Barack Obama como candidato democrata. Cita e-mail de um amigo republicano, que recebeu durante a transmissão, questionando o fundo verde, a pequena platéia, erros primários de organização, e se dizendo com "vontade de chorar". Constata Bill Kristol:
_ Quase todo republicano com quem conversei está alarmado, a campanha não está à altura da tarefa de eleger John McCain.
Para quem não assistiu, segue o vídeo editado pelo Talking Points Memo, junto com críticas até da Fox News, o canal republicano por excelência.
Escrito por Nelson de Sá às 11h40
Contagem regressiva
Escrito por Nelson de Sá às 10h49
Deu no "Financial Times"
A exemplo do que aconteceu no caso Alstom, que foi ganhar atenção por aqui após sair no "Wall Street Journal", também o fundo soberano de Guido Mantega só foi ganhar atenção ou respeito no alto das páginas iniciais, hoje pela manhã nos sites e portais, após surgir com entrevista e foto na primeira página do "Financial Times" de hoje, ao lado _e com repercussão por agências e serviços do exterior, como a espanhola Efe.
No enunciado do "FT", "extraindo riqueza", trocadilho de "wealth fund" com sua fonte, no modelo a ser adotado pelo Brasil, o petróleo das novas reservas, Tupi etc. O fundo "inicialmente" teria um caráter de "estabilização".
Escrito por Nelson de Sá às 09h46
Gasolina a US$ 4 e subindo
Nas manchetes de "NYT" e "WSJ", a gasolina a US$ 4 o galão nos postos americanos. Um salto que atinge principalmente os "Estados Unidos rurais", diz o primeiro jornal, com mapa já na capa e a informação de que os gastos já tomam 15% da renda dos cidadãos, em algumas regiões. O segundo avalia que o "choque do preço, entre os piores em uma geração, eleva o risco de recessão" no país.
Ontem o "Nightly News", o telejornal nacional da rede NBC, com eco hoje pelos sites que cobrem a corrida presidencial, lançou a previsão de que no feriado de 4 de Julho os americanos já vão pagar US$ 5 na bomba.
Na campanha, o "WSJ" noticia que Barack Obama programou "turnê de economia" pelo país e passa a priorizar o assunto.
Já o "NYT" diz que os evangélicos seguem resistentes e representam um dos maiores desafios de John McCain. O jornal destaca ainda que cresce o rigor das autoridades locais contra os imigrantes, no ano de eleição.

Ecoou nos EUA, mas pouco, o pedido do venezuelano Hugo Chávez para que as Farc deixem a luta armada. O "WP" preferiu destacar que o novo líder da guerrilha colombiana, dado como mais aberto às negociações de paz, é também um "intelectual duro", considerado "dogmático e intransigente" por ex-companheiros e colegas.
Escrito por Nelson de Sá às 09h24
Estado de alerta
De Marina Silva, na coluna de estréia na Folha, "Em legítima defesa":
_ Para começo de conversa, um entrave para o crescimento do país: a postura ambígua do Estado frente ao nosso incomparável patrimônio natural. O Estado criou medidas de proteção, muitas vezes em situações difíceis. Esse acúmulo alcança hoje limiar estratégico de inserção da variável ambiental no coração do processo de desenvolvimento. A sociedade entende esse momento, apóia. Diante disso, o Estado não pode se encolher do ponto a que ele mesmo chegou. Movimentos retrógrados, saudosistas da terra sem lei, fazem pressões e recebem acenos de flexibilizações.
_ Há agora uma discussão que resume tudo: é preciso dinheiro para implementar as medidas e normas criadas, porém a relatoria ambiental do Orçamento no Congresso foi entregue à bancada ruralista, cuja oposição às medidas de combate ao desmatamento é conhecida. Talvez tenha havido uma negociação para assegurar aos aliados a relatoria das agendas de aceleração do crescimento. E o meio ambiente parece não ter tido a mesma prioridade.
Escrito por Nelson de Sá às 09h02
O ano eleitoral em verbas (e escândalos)
Nas manchetes de Folha e "Valor", a campanha em verbas públicas. Nas maiores cidades, os prefeitos de partidos aliados ao governo federal recebem 90% mais que os da oposição. Por outro lado, "os governadores e prefeitos abriram os cofres" e elevaram os gastos em 14,5% este ano. O presidente "foi mais comedido" e elevou em 4,5%.

Na temporada de escândalos e contra-escândalos, o "Estado" destaca que a cúpula da Polícia Civil de São Paulo sabia desde fevereiro do esquema de fraude com carteiras de habilitação, "mas só na semana passada, quatro meses depois, é que a quadrilha foi desarticulada pela Polícia Rodoviária Federal".
Já o "Globo" segue com as informações do "pen drive" de um bicheiro, "em poder da Polícia Federal", agora com a revelação de uma mesada de R$ 216 mil a delegacias distritais e especializadas, inclusive aquela voltada à repressão do jogo do bicho.

Ansiada até no exterior, com a Reuters saudando "a oferta mais quente no mercado de IPOs" que andava "morno" no mundo, o lançamento da OGX de Eike Batista está no alto do "Valor". A expectativa é de demanda "forte" pelas ações, mas também de questionamento da empresa que, criada há menos de um ano, já estaria valendo 8% da Petrobras.
Na manchete do "Estado", a avaliação de que o petróleo dos novos campos deve render R$ 30 bilhões anuais ao país "no curto prazo". E desde ontem, no site do "Financial Times", Guido Mantega diz que o fundo soberano vai esta semana para o Congresso e, "em três a cinco anos", pode atingir até US$ 300 bilhões, com os novos campos.
Escrito por Nelson de Sá às 08h16
Um mês depois
Por qualquer razão, fechando semana desastrosa para o horário nobre da Globo, o "Jornal Nacional" deu o caso Alstom na sexta-feira, exatamente um mês depois de sair em manchete no "Wall Street Journal".
Citou por fonte "a bancada do PT", mais reportagem da Folha e o Ministério Público da Suíça. E nada de mencionar PSDB ou o governo paulista, só o Metrô, "sob suspeita" por um "contrato de 1994". Não entrou na escalada de manchetes.
No sábado, mais Metrô. Fora da escalada e sem citar governo, o "JN" deu que o IPT culpou "uma sucessão de erros" pelas sete mortes no buraco da Linha Amarela, ano passado.
Também o escândalo no Rio Grande do Sul chegou ao "JN", finalmente, no sábado. No caso, com escalada e menção a "Yeda, do PSDB" e seu vice "do Democratas". Mas nada do PPS do chefe da Casa Civil, flagrado no áudio falando em financiamento eleitoral de partidos via estatais gaúchas.
Nada, também, da oferta de "uma coisa concreta" ao vice, feita na mesma gravação. Para tanto, era preciso acompanhar o blog gaúcho RS Urgente, de Marco Aurélio Weissheimer, que dá o escândalo desde seus primeiros passos, ainda no ano passado. Está lá a oferta, em podcast.
Leia aqui a íntegra da coluna "Toda Mídia" de hoje.
Escrito por Nelson de Sá às 08h04
